Quem acompanha futebol há alguns anos pelo menos vai se lembrar do Ituano não apenas pela campanha de título paulista em 2014, mas também quando o Galo rubro-negro faturou o Paulistão lá em 2002.
Ainda assim, certamente o troféu mais recente é o mais comemorado pelo torcedor, já que foi conquistado em campanha que teve o Palmeiras como adversário na semifinal e o Santos na finalíssima. A pergunta é: alguém fora dos Quatro Grandes pode conseguir o feito do Ituano agora em 2020? Dá para apostar em um time de menor expressão?
Nãovamos falar de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo aqui comocandidatos, já que eles são os óbvios. Assim sendo, nada maisjusto do que começar com o único paulista fora esses que estará naSérie A do Brasileirão em 2020: o Red Bull Bragantino.
Omero nome “Red Bull” já faz com que todos saibamos que se tratade um novo-rico do futebol (ou de qualquer esporte, se pensar, porexemplo, na Fórmula 1 também).
Clubesestrangeiros com o mesmo sufixo, como o Leipzig e o Salzburg, naAlemanha e na Áustria, respectivamente, vem experimentando sucessocrescente em suas ligas, e o mesmo parece que vai acontecer com oBragantino, clube histórico que agora faz parte do grupo RB.
Oclube alvinegro só conquistou acesso ao Paulistão Série A-1 para2018 e, no ano seguinte, foi campeão da Série B brasileira. Isso dáuma boa noção do nível de investimento colocado no clube.
Contandocom nomes já conhecidos, como o goleiro Júlio César(ex-Corinthians) e Artur (ex-Palmeiras), além de até mesmo umestrangeiro, caso do lateral equatoriano Léo Realpe, o Bragantinochega cheio de expectativas e com algum favoritismo – o que não égarantia de sucesso. Basta ver que as odds do time na casa de apostasBetfairpara o jogo contra a Inter de Limeira eram bem favoráveis, mas o RedBull acabou derrotado por 1x0.
Falardo Guarani é falar em tradição, afinal, como o próprio Bugre temmuito orgulho em dizer, trata-se do único campeão brasileiro dointerior até os dias de hoje (referência ao histórico título doBrasileirão de 1978).
Faz um tempinho que não vemos otime de Campinas na primeira divisão, já que a última Série A emque esteve presente foi a de 2010. Ainda assim, o Bugre vira e mexesurpreende no Paulista. Basta lembrar o que foi o Paulistão 2012,quando o time bateu a arquirrival Ponte Preta e chegou na finalcontra o Santos de Neymar. É verdade que acabou derrotada, mas avolta, num Morumbi lotado, foium dos melhores jogos de estadual da década.
Para2020, é verdade que o Guarani corre totalmente por fora quando oassunto é chance de título, mas o clube tem a seu favor não apenasa camisa pesada, mas o histórico de calar a boca de muita gentequando menos se espera. O começo não foi bom por enquanto, masnunca se sabe o que o Bugrão pode puxar da cartola.
Sefalamos de chances do Guarani, é claro que temos que falar daschances da Ponte Preta, mais antigo clube do estado e segundo doBrasil. Tradição não falta na Macaca de Campinas, o que falta sãotroféus, como os rivais jamais deixarão de lembrar.
Quandoo assunto é Paulistão, as lembranças do torcedor pontepretano sãoagridoces, para ser gentil. A Ponte coleciona vice-campeonatos,contando aí sete temporadas de derrota na finalíssima, incluindoalgumas históricas, como em 1977 contra o Corinthians.
Talvezseja um pouco otimista demais para o torcedor da Ponte acreditar queseu primeiro título de Paulista venha agora, quando o clube falhoumiseravelmente em subir para a Série A do Brasileirão e tem umelenco, no máximo, razoável.
Mesmoassim, a Ponte tem aquela camisa pesada, tão necessária para chegarlonge, e a dedicação de quem daria a vida por um troféu deprimeira grandeza.
Forados quatro grandes paulistas, dos rivais campineiros tradicionais edo endinheirado Bragantino, podemos dar alguma atenção para oscompletos azarões Santo André e Novorizontino. Os dois venceramseus dois primeiros jogos e estão empatados na liderança do mesmogrupo (B, o do Palmeiras).
Édifícil? É. É quase impossível? É. Além disso, casas de apostacomo a Sportingbetnão costumam dar muita moral para clubes que nunca venceramcampeonatos importantes antes, mas, como falamos no começo, o Ituanode 2002 e 2014 chegou onde chegou, não é verdade?
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