As bronquiolites virais figuram entre as principais causas de atendimento a crianças pequenas, principalmente durante o inverno, quando há maior circulação de vírus respiratórios. Apesar da maior incidência na estação, os casos vêm sendo registrados o ano todo. Em julho, o Ministério da Saúde atualizou o guia de prevenção, diagnóstico e tratamento desta doença.
Em entrevista ao podcast PodGatti, o pediatra Alexandre Carvalho Nogueira, do Núcleo de Ensino e Pesquisa do Hospital Mário Gatti, esclarece que a bronquiolite viral é uma infecção que acomete principalmente crianças com menos de dois anos, caracterizada pela inflamação das vias aéreas inferiores, transmitida por gotículas de saliva e contato com mãos contaminadas.
O médico destaca que, inicialmente, a bronquiolite se apresenta como um resfriado comum, dificultando o diagnóstico nos primeiros dias. A confirmação ocorre geralmente a partir do terceiro ou quarto dia, com sinais clínicos típicos da inflamação nos bronquíolos, que dificultam a passagem do ar e se manifestam no exame físico. O diagnóstico é clínico, sem necessidade obrigatória de exames como raio-X ou hemograma.
Alguns grupos apresentam maior propensão a quadros graves, como bebês prematuros, crianças com baixo peso, cardiopatias, alterações imunológicas e síndrome de Down. A idade inferior a seis meses eleva o risco de internação. Apesar disso, a maioria dos casos é leve e pode ser tratada em casa com acompanhamento médico, incluindo controle da febre, lavagem nasal e hidratação.
Os sinais que indicam necessidade de avaliação médica incluem dificuldade respiratória, recusa à alimentação, sonolência excessiva e febre alta. Atenção especial é requerida a sinais de esforço respiratório, como respiração acelerada e afundamento das costelas ou pescoço na inspiração.
Para evitar a transmissão, recomenda-se manter ambientes ventilados, lavar as mãos frequentemente, evitar contato de bebês com pessoas gripadas e fazer higiene nasal correta.
Uma inovação importante é o uso do cateter nasal de alto fluxo e ventilação não invasiva (CPAP e BIPAP), disponíveis nos hospitais do SUS em Campinas, que reduziram significativamente a necessidade de intubação nas crianças.
O novo guia enfatiza a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, possibilitando a transferência de anticorpos ao bebê. Também destaca o uso do anticorpo monoclonal Nirsevimabe para crianças com maior risco de desenvolver formas graves da doença.
Não há medicamentos que curem a bronquiolite, sendo o tratamento sustentado em suporte clínico como hidratação e oxigenação enquanto o organismo combate o vírus. Práticas antigas, como nebulização com solução salina hipertônica, uso rotineiro de antibióticos e medicamentos para asma, foram descartadas por falta de eficácia.
É uma infecção causada por vírus que provoca inflamação das vias aéreas inferiores principalmente em crianças menores de dois anos.
Se a criança mostrar dificuldade para respirar, recusar alimentação, estiver sonolenta ou tiver febre alta, os responsáveis devem procurar atendimento.
Manter ambientes ventilados, lavar as mãos, evitar contato de bebês com pessoas gripadas e realizar higiene nasal adequada são recomendados.
O uso do cateter nasal de alto fluxo e ventilação não invasiva reduziu a necessidade de intubação, e a vacinação de gestantes e o anticorpo monoclonal Nirsevimabe ampliam a prevenção.
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