O uso indiscriminado de anabolizantes para fins estéticos ou para melhorar o desempenho físico pode causar sérias alterações no sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e até morte súbita. O alerta foi dado pelo cardiologista da Rede Mário Gatti e professor de medicina Fábio Giovanetti Morano, em entrevista ao podcast PodGatti.
De acordo com o especialista, os riscos estão ligados ao uso de doses muito acima das recomendadas para tratamento de doenças, classificadas como suprafisiológicas. Essas doses elevadas podem desencadear crescimento anormal do músculo cardíaco, alterações na pressão arterial, redução do colesterol bom e aumento do colesterol ruim, além de influenciar na coagulação sanguínea e provocar alterações hormonais importantes.
Essas modificações em conjunto favorecem o desenvolvimento precoce de doenças cardiovasculares, colocando a saúde do coração em risco.
O coração, sendo um músculo, pode aumentar sua massa muscular de modo fisiológico com exercícios regulares. Porém, o uso de anabolizantes potencializa esse crescimento de forma não natural.
Esse crescimento desordenado pode gerar fibrose no tecido cardíaco, que facilita o surgimento de arritmias. Ainda, a hipertrofia não fisiológica pode evoluir para dilatação do coração, alteração irreversível que pode causar insuficiência cardíaca.
Os danos variam conforme a quantidade e o tempo de uso dos anabolizantes. Doses altas e uso prolongado aumentam os prejuízos ao organismo. Interromper o consumo numa fase inicial pode reverter algumas lesões, mas, a partir de certo ponto, os danos tornam-se irreversíveis e podem levar a doenças crônicas.
Além de outras causas, o uso de anabolizantes pode levar à morte súbita durante a prática esportiva. O coração hipertrofiado com áreas de fibrose pode desenvolver arritmias malignas, como taquicardia ventricular.
A combinação entre uso dessas substâncias e treinos excessivos aumenta ainda mais o risco de complicações. Pessoas com doenças silenciosas também podem ter o quadro agravado, com o uso dos anabolizantes funcionando como gatilho para problemas coronarianos.
Apesar dos riscos associados aos anabolizantes, a prática regular de exercícios continua sendo fundamental para a prevenção de doenças. O cardiologista recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada.
Ele alerta que sintomas como palpitação, dor no peito, falta de ar ou tontura durante ou após a atividade física devem ser investigados por profissionais de saúde.
Não existe uso recreativo seguro de anabolizantes. Essas substâncias possuem indicação médica apenas em casos específicos de reposição hormonal, como em doenças que necessitam dessa terapia. Outras indicações não são aprovadas pelas sociedades de cardiologia e endocrinologia.
O cardiologista reforça a importância de orientação profissional antes do uso de qualquer substância ou início de atividades físicas intensas, recomendando a consulta a educadores físicos, fisioterapeutas ou médicos habilitados para garantir a segurança e a saúde do indivíduo.
As principais complicações incluem hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e risco aumentado de morte súbita devido a alterações no músculo cardíaco e sistema vascular.
Sim, doses altas associadas a uso prolongado causam prejuízos maiores, e a interrupção precoce pode reverter alguns danos, enquanto lesões avançadas tornam-se irreversíveis.
Não há uso recreativo seguro dos anabolizantes; seu uso é indicado apenas para tratamento médico específico e sob orientação profissional.
Sintomas como palpitação, dor no peito, falta de ar ou tontura devem ser investigados por profissionais da saúde para diagnosticar possíveis problemas cardiovasculares.
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