O Medicamento em Casa será lançado em março, em Hortolândia, com foco no atendimento de pacientes crônicos, hipertensos e diabéticos acompanhados pelo SUS. O programa piloto prevê a entrega mensal e gratuita de medicamentos diretamente na residência dos usuários cadastrados.
O lançamento será feito pelo prefeito Antonio Meira, às 14h, no Centro de Convivência da Melhor Idade, localizado na Rua Euclides Pires de Assis, 200, no Remanso Campineiro.
Promovido pela recém-criada Secretaria de Saúde – Atenção à Urgência e Emergência, o programa começa em etapa inicial com a previsão de atender cerca de 150 pessoas. O público inclui 95 pacientes já cadastrados na região do Jardim Santa Clara, 15 assistidos pelo PADO, Programa de Atendimento Domiciliar, e 42 pessoas que recebem dietas especiais enterais por processo social ou judicial.
De acordo com a Prefeitura, a proposta é facilitar o acesso aos medicamentos de uso contínuo, aumentar a adesão ao tratamento e reduzir riscos de complicações, internações e mortes relacionadas ao uso incorreto ou à falta de acompanhamento.
Na etapa inicial, o Medicamento em Casa atenderá pacientes cadastrados na região do Jardim Santa Clara. Após o início das entregas mensais nesta área, a previsão é ampliar gradativamente o atendimento para outras regiões do município.
Entre os bairros previstos para expansão estão Jardim Rosolen, Novo Ângulo, Jardim Amanda e Nova Hortolândia.
O programa tem como público-alvo usuários do SUS que convivem com doenças crônicas, especialmente diabetes e hipertensão. A entrega será feita mensalmente nas residências dos pacientes que aderirem ao serviço.
Dos pacientes que já aceitaram participar do programa na primeira região atendida, pelo menos 20 confirmaram presença na cerimônia de lançamento. Durante o evento, eles receberão um kit personalizado com medicamentos de uso pessoal, caixinha para armazenamento, panfleto explicativo e quadro de horários para orientar a ingestão dos remédios.
Segundo a Administração, mais de 20 medicamentos de uso contínuo serão distribuídos gratuitamente aos pacientes cadastrados no programa.
As entregas serão feitas por equipes compostas por farmacêuticos e auxiliares de farmácia. A partir da próxima semana, os profissionais atuarão uniformizados com camisetas, crachás e bonés do Medicamento em Casa.
O envelope com os remédios será lacrado e entregue apenas ao próprio paciente ou a um responsável. Quem receber o material deverá assinar um documento atestando o recebimento.
O programa também terá canais próprios de comunicação. Os pacientes poderão utilizar o telefone 3887-2395 ou o e-mail medicamentoemcasa@hortolandia.sp.gov.br para obter informações sobre o atendimento.
Além da entrega dos medicamentos, o programa terá uma etapa de orientação farmacêutica chamada de farmácia clínica.
Durante a cerimônia de lançamento, a secretária de Atenção à Urgência e Emergência, Paula Nista, apresentará a equipe de farmacêuticos e auxiliares responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes.
A farmácia clínica consiste em orientar o paciente durante a primeira visita sobre cuidados no armazenamento dos medicamentos e uso correto da medicação. O trabalho também prevê avaliações mensais para verificar se o tratamento está sendo seguido corretamente.
Caso sejam identificados erros, dúvidas ou dificuldades, uma nova visita poderá ser solicitada para reforçar a orientação farmacêutica.
De acordo com Paula Nista, o objetivo do programa não é apenas facilitar o acesso ao remédio, mas também ampliar a segurança do tratamento. “A presença do farmacêutico na casa do paciente pretende assegurar o uso racional e correto da medicação, verificar a adesão à terapia e evitar a ocorrência de complicações decorrentes da auto-medicação e do uso incorreto dos remédios”, explicou.
A proposta do Medicamento em Casa também é aproximar o acompanhamento farmacêutico da rotina dos pacientes.
Segundo a secretária Paula Nista, o profissional poderá verificar se o paciente toma o remédio na quantidade correta, no horário adequado e da maneira recomendada. Também será possível observar se os medicamentos estão armazenados corretamente e se há excesso de remédios na residência.
As informações levantadas durante o acompanhamento poderão ser comunicadas à UBS, Unidade Básica de Saúde, ou à USF, Unidade de Saúde da Família, onde o paciente costuma ser atendido.
“Não é uma entrega, simplesmente”, observou a secretária.
A estratégia busca reduzir riscos relacionados à automedicação, ao uso incorreto dos remédios e à baixa adesão ao tratamento. Para pacientes crônicos, especialmente hipertensos e diabéticos, o uso regular da medicação é uma parte importante do controle da doença.
Com base em projeções do Ministério da Saúde sobre a população que utiliza o SUS para retirar medicamentos de diabetes e hipertensão, a Secretaria estima que oito mil moradores de Hortolândia poderão ser beneficiados pelo Medicamento em Casa nesta primeira fase.
Com a ampliação, o programa poderá chegar a 20 mil pessoas no município, incluindo portadores de outras doenças crônicas. Os asmáticos estão entre os próximos grupos previstos para atendimento.
O programa será financiado com recursos próprios.
A escolha inicial por hipertensos e diabéticos tem relação com os impactos dessas doenças na rede de saúde. Um levantamento realizado no Hospital Municipal e Maternidade Mário Covas mostrou que 28,5% dos 946 óbitos registrados em 2011 foram causados por problemas no aparelho circulatório, totalizando 270 casos. Outros 9,5% ocorreram por problemas no aparelho respiratório, com 90 casos.
Somente em 23 de janeiro, uma quarta-feira, foram atendidos cinco casos de infarto, segundo as informações divulgadas.
Farmacêuticos de cinco UBS trabalham na atualização e ampliação do cadastro dos pacientes que poderão ser atendidos pelo programa. As unidades envolvidas ficam no Jardim Amanda, Nova Hortolândia, Santa Clara, Jardim Rosolen e Novo Ângulo.
A base inicial de informações foi fornecida pela Farmácia Municipal de Alto Custo. A partir desses dados, os primeiros beneficiários foram selecionados.
Todo usuário do SUS que seja diabético ou hipertenso e procure uma dessas unidades de saúde será questionado se deseja aderir ao programa. O paciente poderá atualizar seus dados e passar a integrar o cadastro de beneficiários.
Usuários das USFs também serão contemplados na segunda etapa do Medicamento em Casa, em parceria com a Secretaria de Saúde – Atenção Básica e Especializada.
Além dos medicamentos, diabéticos atendidos pelo programa poderão receber em casa insumos como agulhas, glicosímetro, tirinhas e insulina.
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