Ricardo Penha avalia o cenário eleitoral e os riscos e cuidados para os investidores

1) Nesse ano eleitoral, que promete muito debate econômico, sobre erros e acertos, como você avalia o comportamento e as expectativas do mercado financeiro nesse momento de início de campanha?

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Os momentos de incertezas são grandes geradores de oportunidades, enquanto pessoas físicas fogem da bolsa por medo das eleições ou de recessão global, o “smart Money” segue comprando.

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Exemplos, não faltam, Santander comprou a Getnet, Localiza comprou a Unidas, Rede Do’r comprou Sulamerica e por ai vai.

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O preço da nossa bolsa é igual ao de 2002, com a diferença que hoje estamos muito melhor economicamente, em algum momento os preços irão convergir para os fundamentos, dado que não sabemos quando, o horizonte de tempo do investidor precisa estar muito bem definido.

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2) Quais os cuidados que os investidores devem ter nesse período? Ser mais cuidadoso ou reservado?

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O risco que o Ricardo toma não é o mesmo que o seu, que não é o mesmo da minha mãe, cada investidor tem seu perfil, necessidades e objetivos e o que vai ajudá-lo a tomar o risco correto é o asset allocation.

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Se o investidor tem isso muito bem definido, ele pode sair de uma alocação neutra e ser mais agressivo em uma ou mais classes de ativo. Nesse momento estamos sob alocados em ações brasileiras e criptoativos, pois acreditamos que os preços apresentam convexidade.

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3) O resultado das eleições pode impactar nos investimentos dos brasileiros? De que forma?

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Sem dúvida, tanto a renda fixa como a variável, do lado da renda fixa, se tivermos um governo mais “gastão” e que aprove medidas populistas, podemos ver a Selic subir e ter uma inflação mais persistente. Isso geralmente vem acompanhado de queda na bolsa.

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Se não tivermos uma ruptura institucional e a agenda de reforma seguir, podemos ter juros menores e preço de bolsa pra cima.

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4) Tivemos anos eleitorais muito conturbados. Mas o mercado financeiro seguiu firme e com alguns ativos rendendo muito para seus investidores. Como escolher com tranquilidade, neste momento?

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O mercado funciona como um pêndulo, as vezes ele está muito otimista e as vezes muito pessimista, estar do lado oposto do pêndulo pode render bons retornos.

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O investidor precisa dominar as variáveis que ele pode ter domínio, se o candidato A ou B vai ganhar, ninguém tem a resposta, mas ele pode comprar uma ação por um preço que mesmo que o pior cenário político aconteça, ele ganhe dinheiro.

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Vale, Suzano, Ambev, Itaú são alguns nomes que sobreviveram a diversas crises políticas e econômicas entregando excelentes retornos.

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Agora se você não sabe o preço justo do ativo que está comprando, você entrará na zona da torcida e chance de você se contaminar com o humor ou pessimismo é enorme.

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5) Temos muitos candidatos, mas dois que estão mais despontando para o cenário de um segundo turno. O que muda se o Bolsonaro continua no poder e o que muda se o Lula ganhar, para os investidores?

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Essa é a pergunta do milhão. Se o Bolsonaro ganhar e tivermos a manutenção das pessoas e visão no ministério da economia, podemos sonhar com uma alta substancial nas ações de estatais, por outro lado, se ele ganhar e entregar esse ministério para o centrão, podemos perder o pouco da heterodoxia que ainda temos e medidas populistas ganharem tração.

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Já no cenário de vitória do ex presidente Lula, a dificuldade é entender se ele será o Lula de 2002 ou de 2006, o seu primeiro mandato foi marcado pela manutenção da política econômica do FHC, já o de 2006 foi mais “gastão” e intervencionista.

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As propostas do plano de governo anunciadas pelo PT são preocupantes, querem revogar o teto de gastos, a reforma trabalhista, da previdência e estatizar empresas que foram privatizadas como a Eletrobras, apesar de sabermos que o presidente sozinho não tem esse poder todo, essa preocupação tira visibilidade dos investidores e empresários que reduzem seu apetite ao risco.

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6) Quais as medidas a serem tomadas neste momento para não sofrer os altos e baixos do mercado nesse momento de euforia eleitoral?

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Não se contaminar pelo humor do ambiente e se concentrar no plano de investimento, focando no que realmente importa, que são os fundamentos.

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7) Em termos de mercado, quais os principais setores de ativos menos impactados por esses turbilhões internos de anos eleitorais presidenciais?

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Setores perenes como o de saneamento e energia, que possuem maior visibilidade de lucros, tendem a oscilar menos que o índice. As ações ligadas ao setor de commodities também tendem a descorrelacionar, dado que dependem muito pouco do ambiente Brasil e mais do preço dos produtos vendidos, não a atoa o agronegócio cresce em praticamente todas as janelas de tempo analisadas.

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8) Como investir com segurança?

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Entendendo os princípios básico da psicologia financeira como não ser ganancioso, gastar menos do que ganha, aportar mensalmente e ter claro que o tempo é exponencial em investimentos.

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Além disso, ter acesso a boas informações fará toda diferença, por exemplo, a cotação de Vale hoje é de R$79, ela está cara ou barata? Se o investidor não sabe responder isso, deve ficar longe de ações.

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Por fim, montar um portfólio que consiga navegar em qualquer mar, lembrando que a única certeza que temos é que crises e eventos de calda acontecerão em algum momento.

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9) Qual é o valor mínimo para começar investir em criptomoedas?

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Hoje é possível começar com praticamente nada, R$10 reais você já consegue comprar criptomoedas, mas, se você ainda não tem sua reserva de emergência, não investe em fundos imobiliário ou ações, fique longe dessa classe de ativo.

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Cumpra a escada dos investimentos, comece com renda fixa, depois fundos, fundos imobiliários, ações, ações internacionais e só depois criptoativos.

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O investidor geralmente inverte as coisas e acaba indo pela ganância e dicas de amigos, o resultado já sabemos né?! Prejuízo.

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