Taxa das blusinhas zera e governo Lula divide opiniões

A taxa das blusinhas deixou de cobrar o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 após assinatura de uma Medida Provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12) e já entrou em vigor, segundo o governo federal.

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A medida afeta diretamente compras realizadas em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, que vendem produtos importados de baixo valor para consumidores brasileiros.

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A chamada “taxa das blusinhas” havia sido criada em 2024, dentro do programa Remessa Conforme, estabelecendo uma cobrança de 20% de imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. O ICMS estadual continua sendo cobrado e varia atualmente entre 17% e 20%, dependendo do estado.

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O que muda com o fim da taxa das blusinhas

Com a nova regra, compras internacionais de até US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de importação. Na prática, o consumidor continuará pagando apenas o ICMS estadual sobre os produtos adquiridos.

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Especialistas afirmam que os preços devem cair imediatamente nas plataformas internacionais. Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, os e-commerces devem ajustar rapidamente os sistemas para retirar a cobrança do imposto no momento da compra.

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Um exemplo apresentado mostra que uma compra de US$ 50 custava cerca de R$ 354 com a incidência do imposto federal e do ICMS. Agora, sem os 20% de imposto de importação, o mesmo produto pode custar aproximadamente R$ 295.

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Medida gera críticas da oposição e do setor têxtil

A decisão do governo federal provocou reações de parlamentares e representantes da indústria nacional. Políticos da oposição classificaram a medida como eleitoreira, principalmente porque o anúncio ocorreu a cinco meses das eleições presidenciais.

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O presidente da Frente Parlamentar da Indústria Têxtil afirmou que a mudança favorece produtos chineses e amplia a concorrência com empresas brasileiras. Deputados ligados ao PT também admitiram internamente preocupação com possíveis impactos negativos para o varejo nacional e para a indústria têxtil brasileira.

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A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a decisão como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”. Já a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria afirmou que a medida enfraquece a indústria brasileira.

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Governo diz que medida beneficia consumo popular

Durante o anúncio oficial, integrantes do governo defenderam que o fim da cobrança beneficia principalmente consumidores de baixa renda que realizam compras de pequeno valor em plataformas internacionais.

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O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a regularização do setor e o combate ao contrabando permitiram ao governo zerar a cobrança federal.

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Já o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, declarou que a medida melhora o perfil da tributação sobre o consumo popular. Segundo ele, a maior parte das compras realizadas nessas plataformas é de baixo valor.

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A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, também destacou que as compras internacionais de até US$ 50 não envolvem apenas roupas, apesar do apelido popular “taxa das blusinhas”. Segundo ela, diversos produtos de pequeno valor são adquiridos por consumidores brasileiros nessas plataformas.

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Arrecadação cresceu antes do fim do imposto

Dados da Receita Federal apontam que o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. O valor representa crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tributação sobre compras internacionais havia sido implementada em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional. Posteriormente, dez estados também elevaram o ICMS dessas compras de 17% para 20%.

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Economistas avaliam que o fim da cobrança federal pode beneficiar os consumidores no curto prazo, mas aumentar a pressão competitiva sobre empresas brasileiras que disputam mercado com produtos importados de menor custo.

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Impactos da taxa das blusinhas no comércio brasileiro

Especialistas apontam que o imposto criado em 2024 funcionava como uma proteção para setores da indústria nacional, principalmente o segmento de moda e varejo têxtil.

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Com o fim da taxa federal, empresas brasileiras podem enfrentar maior concorrência de produtos importados vendidos em plataformas internacionais. Por outro lado, consumidores tendem a encontrar preços mais baixos em compras de pequeno valor realizadas pela internet.

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O tema continua gerando debate entre representantes do setor produtivo, parlamentares e integrantes do governo federal.

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FAQ - PERGUNTAS FREQUENTES

O que era a taxa das blusinhas?

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Era um imposto federal de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

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O ICMS continua sendo cobrado?

Sim. A Medida Provisória remove apenas o imposto federal de importação. O ICMS estadual continua sendo aplicado nas compras internacionais.

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Os preços devem cair nas plataformas internacionais?

Especialistas afirmam que os preços devem diminuir imediatamente, já que a cobrança dos 20% de imposto federal deixa de existir.

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